domingo, 5 de julho de 2009

SAUDADES DA PRAÇA


Roberto C. de Menezes, é oriundo de Palmeira dos Índios e Cambonense por opção. Durante a sua adolescência no Cambona, teve como fies parceiros os amigos: Alder Flores, Joseval Pereira e Gabriel Campana, quarteto inseparável, seja: nos estudos, nas festas, nos bate-bola e principalmente nas farras que realizavam, nos relatando momentos inesquecíveis e engraçados, dignos de um livro, se assim fossem registrados os fatos ocorridos à época. Beto, como é chamado entre nós, é casado tem um casal de filhos e no momento preside o Conselho Regional de Odontologia. 

O texto a seguir foi transcrito da Gazeta de Alagoas, editorial do dia 02 de julho de2009.
Vim do interior do Estado, da querida Palmeira dos Índios, no início da vida, morar em Maceió, por motivos de transferência do meu pai, morar nos fundos (oitão) da Igreja dos Martírios, em frente à Praça dos Martírios. Foi nela, onde comecei a dar os primeiros passos da vida, e viver grandes momentos das fases da infância, adolescência e adulta, junto com grandes amigos, que lá conheci, e que ainda somos até hoje.
Na Praça dos Martírios começamos a aprender o cotidiano da vida e a distinguir, as coisas boas e más, onde nos reuníamos, nas horas vagas, com a turma, em frente à casa do Dr. Aldo Flores, Promotor de Justiça.
As turmas eram divididas por faixa etária, não havia distinção de cor, sexo, facção política ou religiosa, classe social. Eram todas iguais, buscando sempre a amizade e a troca de experiências. Na turma da praça, tinha todo o tipo de ser humano, intelectual, boêmio, anarquista, esquerdista, direitista, centrista e sonhador. Tinha de tudo, mas todos conviviam, sem a malícia da sociedade hoje, sem os vícios dos que perambulam pelas praças de hoje.
Foi Lana “Turma da Praça”, que aprendemos a gostas de ler, namorar, ir as festas, de jogar futebol com os times de outras praças, de tomar “umas cachaças” com colegas, de saber o que era Democracia e Ditadura e ver colegas idealistas e sonhadores por uma sociedade mais justa, estes sim, tinham idealismo. A maioria dos colegas tinha formação católica, devido a nossa convivência com a Igreja dos Martírios, de onde passaram vários freis, de conservadores a progressistas. Mas também tinham ateus,materialistas, espíritas, evangélicos e as mais diversas tendências religiosas. E quando juntavam todos era um verdadeiro culto ecumênico.
Na pequena garagem de minha casa,onde meus pais moravam, tinha um cursinho chamado de “Boa Esperança”,onde os professores eram os mesmos freqüentadores da praça. O curso era coordenado pelo meu querido irmão Denisson Menezes (morto em Cuba),preso político à época, onde foi barbaramente torturado,com outros colegas como o Denis Agra, Breno Agra (falecidos), Jeferson, Fernando, Flávio(juiz de Direito), por defenderem uma sociedade mais justa, que nos ensinavam Biologia, conhecimentos gerais e também a ser gente.
Como também outros bons companheiros que nos instruíamos, contribuindo com vários colegas a ingressarem em faculdades e concursos públicos.